Não faz sentido falar em recessão, assegura a Exame Angola

exame

A edição para Angola da revista ‘Exame’ dedica o seu número deste mês de Fevereiro às cinco questões que, na opinião da equipa que faz a revista, mais preocupam os angolanos. Aqui fica a reprodução das respostas numa síntese efectuada por Jaime Fidalgo Cardoso, responsável por esta revista económica:

1. O PETRÓLEO VAI CONTINUAR A CAIR?
Não. Embora abundem as visões mais díspares sobre a evolução futura dos preços do petróleo parece haver unanimidade em dois pontos. Primeiro: a cotação já terá batido no fundo, sendo de esperar a inversão de tendência a partir do segundo semestre. Segundo: a recuperação será lenta e o preço tão cedo não regressa aos três digitos. Ao que tudo indica entrámos no ciclo do petróleo barato.

2. O IMPACTO NA ECONOMIA SERÁ ELEVADO?
Sim. Outra coisa não seria de esperar de uma economia onde o petróleo vale 70% das receitas fiscais. Os sinais estão aí desde o final do ano passado. O Presidente da República já avisou que 2015 será um ano dificil, de contenção. Quando surgir o orçamento geral do Estado rectificado, no qual o preço de referência do petroleo cai para metade, teremos ideias mais claras da sua extensão.

3. FAZ REALMENTE SENTIDO FALAR EM CRISE?
Não (ou sim). Não, se entendermos a palavra crise como recessão. Até agora nenhum previsão credivel refere que Angola não vai crescer em 2015 (a mais negativa é 3%). Sim, se entendermos que haverá cortes severos que alastrarão ao resto da economia. Uma coisa é certa: hoje o país está mais bem preparado do que em 2009 para reagir ao choque petrolífero e a reacção está a ser mais rápida.

4. OS COMBUSTIVEIS VÃO VOLTAR A SUBIR?
Sim. Pelo menos é nesse sentido que vai a proposta do FMI solicitada pelo Ministério das Finanças que propõe eliminar gradualmente os subsidios aos combustiveis até 2020. O Governo decerto que não deixará de aproveitar a oportunidade de recuperar alguma folga orçamental, com uma despesa socialmente injusta, que hoje representa 3,7% do PIB (480 mil milhões de kwanzas).

5. VAMOS TODOS PAGAR MAIS IMPOSTOS?
Sim (ou não). Sim, porque o grande objectivo da reforma tributária é alargar a base tributária e combater a evasão fiscal. Paralelamente o imposto sobre os rendimentos de trabalho parece ser mais penalizador, sobretudo, para quem tem salários elevados. Não, porque houve uma amnistia (as dividas antigas ao Estado foram perdoadas) e algumas taxas – caso do imposto industrial – desceram”.

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